segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Um possível movimento perpétuo...

Que estranho cansaço absorto e libertador que se instalou em mim. Um género de película protectora à minha condição débil que transporta uma alma fortalecida.
É daqueles momentos que não vale a pena contrariar com a vontade própria de viver certas coisas que acabam por se revelar fora do seu tempo de existir. Aproveito assim, para aproveitar o momento com todo o movimento que ele me traz, na contenção de uma vontade despropositada e descontextualizada que levada a cabo não me vai permitir ser feliz, pelo simples facto de me trazer apenas a concretização efémera da vontade.
Tudo isto choca com a minha razão humana que diz o contrário... mas até aqui tenho seguido a minha vontade mesmo sabendo que está deslocada do tempo certo de existir.
Por isso contrario a vontade humana para seguir o absurdo que parece persistir num sexto sentido fora de lógica mas que transporta e revela a assertividade que preciso para viver e que pode perdurar no tempo, como nunca aconteceu até aqui e que sempre quis alcançar.
Este estado confere-me uma sensação estranha de liberdade sobre mim mesma e o discernimento claro sobre as sensações e o pragmatismo possível das emoções e dos sentimentos.

Vou deixar tudo acontecer... sobre um movimento que poderá ser perpétuo como o da guitarra de Carlos Paredes.

sábado, 31 de outubro de 2009

O embalo

A vida tem os seus apertos e lido de perto com o sufoco... mas também nos traz a elevação pela superação dos mesmos... poder percorrer em sentido contrário, um trajecto que muitas vezes é feito sempre da mesma maneira consegue ser libertador da consciência e do coração. Como se o chão nos trouxesse um outro significado dele mesmo pelo simples facto de não o pisarmos da mesma maneira e na mesma direcção.
Quando a música embala o espírito no sentido da tranquilidade e o movimento de repente relativiza tudo... o subconsciente é embalado e cede... cede a uma envolvência de sentido correcto e justo, pela verdade de nós mesmos que existe sem precisar de porquês ou de razões.

Sigo o meu caminho para casa, embalada pela tranquilidade em si mesma.

(escrito depois de ter estado na expo e percorrer em sentido contrário o antes rotineiro caminho e ter assistido ao último trabalho de Olga Roriz "Nortada")

terça-feira, 18 de agosto de 2009

A identidade de meu eu vagabundo

Se eu fosse um vagabundo vestia-me como tu, cheirava mal como tu e muito provavelmente... também me sentaria à sombra e ficaria em silêncio e como tu deixava-me inundar (como se fosse imune a ela) pela música que sai do rádio a pilhas cheia de estática por não apanhar bem a frequência... e como tu não mudaria de posto.
Deixava que esse Jazz dos anos 60 fosse maior, maior que a minha miserável aparência e me fizesse reviver a grandeza do verdadeiro eu, melodioso e inspirado como ela...
... deixava que a música fosse uma extensão da minha presença naquela rua, naquela cidade... uma presença doce ou perturbadora, não interessa. Ali está a minha presença mas não a minha identidade!

Podes pensar que me conheces mas na verdade nem o cheiro que te repele te diz quem eu sou, porque este não é o meu cheiro.

Eu já cheirei como tu, sabias?! - Claro que sabes... achas que não porque não te apetece pensar... eu sei o que isso é... não querer pensar mas tu não sabes o que é estar no meu lugar.

Deixar as imagens, os sons, os cheiros, as sensações passarem ao lado... bem ao largo. O peso da existência está em todas as balanças mas não é para qualquer um, chegar ao profundo de mim é mais assustador do que o cheiro que em mim te repulsa.
Tudo pode ser efémero, menos o acto de existir... muito se pode desvanecer mas nem a morte dissolve a existência. Do que te importa o que vês em mim, se não me sentes??

A loucura que em mim vês, é minha e sei que perturba a tua, a loucura reprimida mas hoje sei que nem opressão, nem liberdade no seu todo nos conferem uma mente saudável... nem eu tenho controlo da minha nem tu conheces o sabor da tua...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Fases em ciclos

Todos nós passamos, ou dizemos passar por fases na vida. Eu também tinha o hábito de catalogar esses momentos como "fases" mas hoje, pensando melhor, faz mais sentido que essas fases sejam ciclos. Ciclos de aprendizagem.
As "lições" de vida trazidas pelas circunstâncias e condimentadas pelas nossas escolhas (ou vice-versa), são nada mais que patamares na nossa caminhada. Alguns fazem-nos crescer porque assim os conduzimos, outros fazem-nos estagnar como um disco riscado do qual não conseguimos por nós mesmos sair, resolver, avançar.
Procuramos novos mecanismos de desbloqueio do discernimento, auxiliares de percepção, como binóculos que nos ajudem a ver um pouco mais além e nos facilitem as tomadas de decisão. Na verdade todos nós, ou talvez deva dizer, ninguém quer tomar más decisões ou rumos incorrectos na sua vida. Mas na verdade são escassos os binóculos que nos dêem a visão clara, ou mais clara possível do que possa estar mais à frente.
Aqui entra a nossa espiritualidade em acção! O nosso ser ou identidade espiritual revela-se quando as perspectivas fogem do alcance da realidade palpável ou comprovável. Aqui constata-se que todos nascemos com uma medida de fé, seja ela canalizada para que entidade for ou aplicada em que moldes for. Mas também não será verdade que só se alcança o resultado correcto, quando aplicamos os meios que nos foram dados, do modo e para aquilo ou para o qual foram criados?!
A "mania" de fazermos as coisas à nossa maneira e de não nos querermos sentir controlados mas em controlo, contraria e torna incoerente esta ansiedade por uma resposta fora de nós mesmos quando as decisões, sejam elas quais forem em procurar mas querer controlar, ouvir mas não aceitar, estão e partem de nós ainda que no final só estejamos disponíveis para aclamar os bons resultados como nossos e descartar os menos bons, alegando que o transcendente está fora de nós.
Será mesmo que está??

sábado, 9 de maio de 2009

Almas de vidro...

De uma maneira geral, as pessoas que têm uma fragilidade ou deficiência física, desencadeiam em nós a compaixão e a necessidade de cuidados e protecção. Uns por acidentes que os colocam numa cama ou numa cadeira de rodas, outros que de nascença já trazem uma condição de dependência como a doença dos ossos de vidro... mas quantos de nós que nascemos saudáveis e fisicamente perfeitos, não acabamos por crescer ou desenvolver com os desgostos e dores, almas de vidro?! Não somos nós também dignos de compaixão, cuidados e protecção??
Por mais que nos traga algum desconforto, ainda vamos sabendo lidar com o que é visível como uma deficiência física. Até nos sentimos altruístas pela capacidade e vontade de fazer algo por essas pessoas, mas com uma alma, um interior despedaçado é muito mais intimidativo.
O nosso coração rejubila quando vemos as pessoas tomarem a decisão de quererem Deus nas suas vidas... o nosso trabalho como igreja é para eles, para quem precisa e ainda não conhece Deus intimamente. Colocamos o nosso melhor sorriso, fazemos a nossa oração mais fervorosa e quando a salvação acontece é maravilhoso! Mas e depois?... como cuidamos do que não é visível? Como reagimos, pondo em prática o amor perante uma alma de vidro?
Uma alma fragilizada por um percurso de vida singular (como o nosso) mas que pela sua sensibilidade tem sofrido fractura após fractura...
"Agora com Deus na sua vida já não tem desculpa!" - e descartamo-nos da nossa responsabilidade.
Passa a ter, sem dúvida, o maior médico especialista que alguma vez existirá, maior Amigo, Mestre, Pai... mas ninguém vive numa redoma.
Aos deficientes motores pomos uma rampa para as cadeiras de roda, pegamos neles ao colo, damos palavras de ânimo, procuramos fazer de tudo para que se sintam bem, incluídos e que a sua diferença passe o mais despercebida possível para que se sintam entre iguais. Queremos ser parte da sua força dando do nosso esforço... e então? Qual é o lugar das almas de vidro?
Não sabemos lidar com o interior uns dos outros... temos medo até de mergulharmos dentro de nós próprios e passando ao largo de nós mesmos, passamos inevitavelmente ao largo dos outros.
Poucos são os que querem colocar a rampa ou pegar ao colo as almas fracturadas, são poucos os que admitem e não escondem as fracturas da sua alma com medo da discriminação.
Pois as minhas fracturas sempre estiveram "escancaradas" e sempre assustaram os que me rodeiam e então se afastam... e então sofro mais uma fractura.
Mas hoje, acho que vou conseguir dizer basta! Não vou deixar de mergulhar dentro de mim, simplesmente não vou deixar que mais ninguém mergulhe se não for para ficar.
Entretanto, vou deixando Deus acalmar as águas da minha fragilidade para que possa continuar a ter a força suficiente para colocar a rampa não só aos corpos fracturados mas também ás almas de vidro e poder mostrar com as minhas cicatrizes que é possível transformar vidro em acrílico e que transparência não é necessariamente fraqueza.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Carta ao Adeus

Subo para o meu quarto, no sótão e deixo o John Mayer a tocar na sala, lá em baixo onde os meus gatos dormem.
O som chega cá a cima... mas não me importo.
Já consigo sentir a música por si mesma, sem filtros, sem imagens só a música neste momento.
Hoje consigo sentir um pouco melhor a aceitação, o abrir mão, o libertar do perdão por não seres tu "o tal". Aquele que me vai querer amar e amar por si só. Aquele cuja vontade, pela força de amar não vai querer partir, não se vai amedrontar e querer e crer não deixar apenas mas manter o seu cheiro no lugar do teu.
Se ao menos amanhã conseguisse acordar ainda com esta sensação, de liberdade e de paz, teria um presente mais feliz e um futuro mais bonito, menos confuso.

A luz no meu quarto, aquele com que sonhei tanto tempo é tranquila, suave e convidativa ao amor. O conforto da minha cama, aquela que eu escolhi é pacificadora e sugere-me que o melhor está para vir... ainda que já não estejas presente. E o cenário com que pela manhã a minha janela me presenteia, o campo colorido e sonoro, o canto dos pássaros e o sussurrar das árvores agitadas pelo vento, faz nascer no silêncio dos meus lábios uma oração de graça por este ambiente circundante maravilhoso do momento presente ao acordar.
E sei que "o meu lugar" em ti, também irá ser preenchido por alguém muito mais maravilhoso só pelo simples facto de que te amará e tu a ela e eu a ele.
E seremos completos!!

quarta-feira, 1 de abril de 2009

processos...

Confiar numa entidade invisível, não material, impossível de por si só se tocar, sentir, provar não é um desafio fácil, pacífico...
Assim é o amor, os sentimentos, as emoções, Deus... podemos considerar que as nossas acções e gestos solidificam ou tornam alcançável o imaterial, mas quantas vezes não agimos ao contrário do que nos vai na alma, no coração e no entendimento?!
... e isso o que significa???
A incoerência do que é metafisico com as formas e os contornos do que o olho alcança e transmite ao pensamento... sentirmos uma coisa e fazermos outra, geram-se processos da nossa inteira responsabilidade!

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Afinal sou Mulher e original

Vivo a 100/hora... dificilmente me consigo desprender da sensação de que não há tempo a perder, há tarefas a fazer, do que há para aprender. A pressa é inimiga da perfeição, assim diz o ditado e por isso mesmo não há pressa e sim tempo para perder enquanto que a perfeição é um objectivo, ainda que utópico mas necessário.
Sou adepta de manter a fasquia alta para compensar as circunstâncias imprevisíveis... Raramente tenho paciência para as conversas fúteis sobre vernizes, marcas, roupas, etc... chego a pensar que deveria ter nascido homem ainda que não tenha paciência para futebol, carros e gajas.
Torna-se por vezes “pesado” olhar para as coisas assim, no entanto, a vida é demasiado curta para dispensar um bom filme, uma exposição, um espectáculo ou uma conversa com conteúdo e talvez por isso nem todas as pessoas conseguem lidar comigo mas acho que terei tempo daqui a uns bons anos para descontrair e levar a vida nas calmas... por enquanto é tempo de lutar, viver ao máximo, explorar as opções e as oportunidades e construir um império que mais do que material, forma o carácter, os valores e o “arcaboiço” intelectual, emocional e até mesmo espiritual.
Sem a minha própria experiência de vida, do que poderei falar? Que histórias poderei eu contar? Que conselhos ou valores poderei apregoar?...
- O dos outros??!?
- Não me parece!!
Como diz uma pessoa muito especial na minha vida: “You were born an original... don’t die a copy!”

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Fraco contentamento...

Ontem tive, mais uma vez o privilégio de ouvir o Pr. Mário Rui Boto em mais um Pulsar da Cidade em que falou sobre um tema que já havia falado antes e por momentos pensei que não iria ouvir nada de novo... as palavras que se seguem são apenas algumas reflexões pessoais sobre: A Milha Extra!
É tão mais fácil fazermos apenas aquilo que é aparentemente esperado de nós... não há surpresas... não há expectativas... é... pacífico! Uma comodidade subtil que, pensamos nós, transpira compromisso e excelência. Transpirar?? Nããã!! Isso é para quem não cumpre com os parâmetros do seu compromisso, para quem não tem compromisso nem sabe o seu rumo...
O que somos nós afinal? Burros com palas nos olhos??... Não gosto da analogia, confesso, mas se nada fizer por isso poderá não estar longe da realidade.
A passividade é um "bicho" que se instala facilmente se não estivermos atentos e se não quisermos ser pessoas realizadas e maiores... não maiores do que os outros mas maiores do que nós mesmos. Se todos tivermos a capacidade de sair de nós mesmos e dar um pouco mais do que apenas o que é suposto, estaremos a abrir o caminho para que Deus, a Vida e as outras pessoas nos surpreendam, mostra que estamos preparados e motivados para continuar a caminhar e estaremos mais perto do nosso propósito.
A preguiça, o conforto, a rotina não são parâmetros dos vencedores... e é por detrás da fidelidade ás pequenas coisas que se escondem grandes oportunidades e grandes recompensas: a de uma consciência feliz, de um âmago positivo e de um coração tranquilo.
A mediocridade não é compatível com aquilo que Deus nos chamou a ser: Mais que vencedores!!!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Sere ou não ser?!?

São tantas as exigências da vida e do dia-a-dia... sem critérios de importância é impossível gerir tanta informação. O que é que realmente nos move?!
Não se pode resumir a conceitos universais, a motivações colectivas ou padronizadas mas a uma intimidade connosco próprios e com Deus... sem partir de uma premissa pessoal é impossível dar aos outros, partilhar com o que está ao nosso redor sem que tenha um sabor plástico a “fast-food”, cinismo e hipocrisia. Do que vale construir sem alicerces? E pela lógica de construção, os alicerces são os primeiros a surgir, são a parte da casa que não fica à vista mas suporta com consistência ou não, toda a estrutura exibida e muitas vezes “espavoneada”.
Será que vale a pena não ter alicerces? Não nos conhecermos? Não aprofundarmos o fundo de nós mesmos, por mais trabalhoso e até doloroso que seja?!
De nada vale passar anos da nossa vida a construir algo que em fracção de segundos, com um sopro das circunstâncias da vida ou por um momento de distracção, cai por terra e nos deixa em cacos... sem rumo... sem chão.Viver de aparências é como ser um pavão sem penas...

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Hoje

Hoje... resolvi enfrentar a preguiça que me presegue os dedos e que não me alcança a mente!

Com tantas palavras que se formam no plano das ideias, não é possível conter mais o sopro de inspiração que me liberta, que me move, que me faz crescer e estar um passo mais adiante no meu caminho.

Now, there's no turning back...
Cat