sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

05 de Novembro de 2011

05 de Novembro de 2011 fez 3 meses que vim para a Holanda... 3 meses de eternidade, de saudade, de incertezas.
Sem qualquer tipo de expectativas na bagagem e com alguma apatia no bolso cheguei a Zeeland. Não posso mentir que o choque cultural não aconteceu, assim como não posso dizer que isto não é bonito, tão bonito como uma paisagem idealista imortalizada num postal.
Tudo está rodeado de uma perfeição quase mórbida, sufocante e uma estética cansativa e duvidosa - como é que alguém consegue ser criativo aqui?!? Onde tudo te absorve e te faz sentir imperfeito e indigno de tamanha imperfeição!?!
As duas primeiras semanas foram sem dúvida complicadas mas na cidade fantasma de Yerseke encontrei refugio na marina, onde pelo menos podia provar a ferrugem dos barcos.
Entretanto, a rotina torna-se dominante e incontornável. Com o despertador a tocar ás 04h da manhã e a trabalhar entre 8 a 12 horas por dia, não resta muita força, vontade ou sequer motivação para muito mais do que dormir e ceder ao cansaço. Habitualmente a semana termina apenas ao meio dia de sábado. Depois é altura de ir ás compras da semana à "cidade" mais próxima - Goes (deve ler-se ruje sendo que o "G" lê-se "RR"). Ainda no sábado seguem-se as limpezas e a roupa para lavar e com isto já é hora de jantar! Apenas o domingo consegue ser produtivo para o descanso mas infelizmente não para tudo o que se pensou fazer no tempo livre. Poucas são as forças ou a vontade para mexer qualquer parte do corpo... nem mesmo a mente!
Agora em Rilland o marasmo ainda é maior. Nem o ginásio enferrujado e perro, a mesa de ping-pong coxa ou os baralhos de carta amassados, são convidativos a contrariar a preguiça. Mas com o bar do hotel aberto e já com bebidas alcoólicas, o levantamento do copo parece ser a modalidade escolhida para anestesiar a insatisfação...