terça-feira, 25 de março de 2014

Não gosto...

Recentemente ofereceram-me o livro “O amor é difícil” da querida Helena Sacadura Cabral. Quando este livro me foi oferecido realmente estava num período de amor difícil e pensei, que esta não seria melhor leitura para o momento. Mas na verdade este livro é um relato das várias formas de amor e tem sido uma leitura bastante reveladora.

“O amor é difícil” é um livro composto de várias histórias, segundo a autora, verídicas. Conforme fui lendo estes pequenos contos reais, dei por mim tanto a rir como emocionada, até que se criaram paralelismos entre trechos da realidade das personagens e a minha própria história.

E confirmou-se... não gosto do dramatismo que o amor em si encerra. Ou será que o dramatismo somos nós que o acrescentamos? A intensidade do amor é medida pelo seu grau de dramatismo? Seja como for, não gosto do dramatismo que se atravessa e que, de alguma forma, toca em cada história. Este destino quase lírico a que uma história de amor está sujeita, que quando visto de fora soa a romantismo, é triste mas ao mesmo tempo revela a nossa complexidade.

O encaixe de dois universos singulares, por mais que semelhantes aqui ou ali, é uma tarefa tanto grotesca como poética. As atitudes e comportamentos são cada vez mais imprevisíveis mas por outro lado padronizadas pela necessidade de Se estar no centro. Por isso, a determinada altura senti a necessidade de reinventar os conceitos. Não consigo ver o dramatismo pelos olhos do romantismo, da mesma forma como não consigo ver a incessante dádiva de prendas ao outro, como uma forma de afecto. É preciso mostrar o que está por baixo das nossas camadas. É preciso querer ver o que está por baixo delas. Temo-nos tornados peritos na camuflagem e na estratégia. Não consigo acreditar no amor assim, seja ele de que forma for.

Ás vezes considero que tenho uma visão muito primitiva do que é o amor, ao ponto de achar que o verdadeiro romantismo é a admiração, o carinho e a vontade que nos podem expressar com um simples olhar ou abraço, sem a necessidade de verbalizar qualquer adjectivo... e depois, o que fazemos a todas as palavras insistentemente proferidas, quando as atitudes rasgam com a relação? Reitero o que sempre soube que não gosto... o efémero. Não gosto!! Não gosto da ideia de fim... e porque não reciclar? (sorriso) Mas até para isso é preciso que se esteja em sintonia... ufa! Mas também não gosto das inevitáveis marcas que estes aparatos nos deixam na alma, na mente e nos comportamentos. Mas crê-se que tudo serve o seu propósito!

Bem, não é preciso andarmos sempre a levitar para nos apaixonarmos pela mesma pessoa todos os dias, ou nos momentos difíceis, nos relembrarmos do exacto momento em que nos apaixonámos por aquela pessoa e porquê. Uma das minhas mais belas histórias foi assim apesar de ter acabado. Todos os dias durante os anos da relação e mesmo depois de ter acabado, eu conseguia sentir precisamente o mesmo sentimento e recordar todas as razões pelas quais me apaixonei. Não deixa de doer mas não nos tira o sorriso no momento em que se viaja nas lembranças. Infelizmente nem todas as histórias, ou talvez, nem todas as pessoas deixam essa marca. No fundo as histórias, outrora realidade, foram protagonizadas e direccionadas por nós. Se as histórias têm de ser efémeros, pelo menos que nos deixem com um sorriso.

Afinal, é suposto amarmos os outros como a nós mesmos... com compreensão, aceitação e disponibilidade!

Dedico este texto ás pessoas que fazem questão de fazer parte da minha vida... e vocês sabem quem são... amo-vos com reciprocidade!