sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Aguardo

Fui eu quem procurei esta solidão? Meu Deus, como ela é gigantesca! Sou eu quem tem infligido a mim mesma esta dor?
Em momentos como este nenhum de todos os possíveis clichés que chamo até à minha mente, têm qualquer poder sedativo.
Estou num loop que parece impossível de interromper. Procuro o conforto nas palavras do livro, nos traços de carvão, no delinear de novas palavras, na materialização de emoções e pensamentos mas nada faz sentido... longe.

Prendi-me num mundo que não reconheço e não me identifico. Que me amarra e me seca. Talvez nada disto seja racional para que se entenda. Resta-me apenas aguardar. Aguardar no tempo que se manifesta como uma onda que rebenta nas rochas e me salga a alma. Aguardo na fé que não sei se é legitimamente minha ou emprestada de alguém. Aguardo, procurando o sabor da perseverança como um escudo, como um manto quente que aconchega.

Não existem mapas ou coordenadas que mostrem aos pés descalços o caminho a seguir, apenas a fé ilumina o chão que o agora pisa.

"Há um tempo para tudo (...)" e então agora é o momento do vazio que alienado do amanhã, espera que outro tempo se manifeste e que a seu tempo restitua ao vazio, os rostos que o dissipam.

E de joelhos faço a minha voz soar com todo o folgo que me resta para que as circunstâncias saibam que não há rendição!

Sou tão forte quanto as lágrimas que choro mesmo que nem sempre me apeteça ser forte... 

domingo, 5 de agosto de 2012


Um ano... parece tanto tempo quando olhamos para trás mas tão pouco quando visto de trás para a frente e no fundo, acaba por se revelar insuficiente.
Arrancamos da linha de partida com uma série de pensamentos e mantras confortavelmente instalados na cabeça e no coração. Mas a realidade troca-nos as voltas... aquilo que pensávamos ter como seguro em nós, mostra-se frágil e o que achávamos frágil, surpreende-nos!
Há sem dúvida um poder incrível na perspectiva... na perspectiva do olhar, do coração, do espírito, da razão.
Há quem consiga recriar diferentes perspectivas sem sair do mesmo lugar, sem se afastar. Eu não era uma dessas pessoas! Hoje, consigo perceber como funciona esse mecanismo interior, pessoal e intransmissível ao ponto de me conhecer e amar de novo e ainda mais.
"Lâmpada para os meus pés é a Tua palavra e luz para o meu caminho" in Salmos 119
No fundo, a beleza da vida está na forma única de como Deus proporciona que as coisas aconteçam, de acordo com aquilo que precisamos de ser confrontados para que percebamos a nossa individualidade e ao mesmo tempo, o nosso lugar no todo. Por isso, cada pessoa tem reacções diferentes e especificas ao mesmo tipo de ambiente ou circunstâncias.
Sinto-me como se estivesse num campo de treinos. Estou a ser preparada, estou a aprender coisas novas mas também estou a tomar conhecimento de que já havia muito dentro de mim e a comprovar, mais uma vez, o poder das convicções.
É bom quando conseguimos reconhecer a oportunidade que nos é dada de nos surpreender a nós mesmos.
Na perspectiva certa, conseguimos ver a verdadeira proporção das coisas e que aquilo que pensávamos ser uma determinada coisa afinal é outra diferente, ou é de facto verdadeiro e puro ou ainda achávamos não ser mas afinal, é!
No entanto, o importante em todo o tempo, a cada dia desse ano, nos momentos de angústia, confusão e vitória é sabermos e abraçarmos quem somos em nós mesmos porque o somos primeiro em Deus. Somos - um nome escrito na Sua mão e um propósito tornado vida!
Um ano... em que não voltaria atrás!