sábado, 24 de outubro de 2015

#no surprises

Mudar: 


Levar de um lugar a outro. 

Fazer algo de outro modo, outra maneira. 

Transformar, alterar, renovar, substituir. 

Dar outra direcção. 

Mudança: 

Acção ou efeito de mudar 

Mudança é a variação das coisas de um estado para outro. 

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Sinónimos: alteração adulteração conturbação debate decomposição degeneração desordem deterioração emenda falsificação modificação motim mudança mutação perturbação remodelação revolta transfiguração transformação transposição variação variedade alternação alternativa revezamento substituição dilema mais... 

Antónimos: invariação estabilização constância mesmice mais... 

Relacionadas: mudar instabilidade mais... 


Sou fã da decisão de mudar e do ato de mudança. Da mudança evolutiva, claro. 

Considero que é um exercício da nossa liberdade que nos fortalece e nos faz crescer. Obriga-nos a olhar ao redor e mais além de nós mesmos.

Muitas vezes me senti deslocada por não ser resistente à mudança, e andar no sentido contrário à maioria. 

Afinal, não são os estados de conforto e comodismo a antítese do movimento da mudança? 

Há pessoas que desde cedo sabem o que querem da vida e cedo começam a construir isso com uma objectividade inquestionável. Há outras pessoas, como eu, que sentem o universo dentro delas e precisam de uma série de ciclos e mudanças na vida para poderem ver o que são e ser quem realmente são, conquistando o que as faz feliz. São caminhos com diferenças abismais mas não creio que um caminho seja melhor do que o outro. Sinceramente, acho muito mais piada aos carrinhos de choque do que ao carrossel. 

Cada pessoa tem o trajecto que Deus acha necessário para construir e moldar o carácter e potenciar as suas capacidades de acordo com o que é o seu propósito. 

Eu gosto de movimento. Eu gosto da mudança. Eu gosto de me sentir como uma peça a ser esculpida. Bela nas suas imperfeições mas inquieta na sua natureza por saber que a sua existência não serve a si mesma. 

Sei que muitos me vêm como uma pessoa inconstante porque não escondo o meu caminho. Mas as aparências não me importam e as opiniões, muito pouco. Quem tudo sabe, tudo vê e isso me basta. 

A propósito de aparências, adoro mudar de penteado e fazer cortes de cabelo diferentes mas pintar o cabelo de cores diferentes, já não gosto tanto. Não gosto de comer a mesma coisa todos os dias mas não deixo de ter alguns hábitos como é normal, aliás creio que por mais resistência que tenhamos às rotinas, elas são um elemento inevitável. Há sempre um padrão. 

Há muitos anos que a Raquel presta serviços de catering no meu trabalho e todas as manhãs temos uma variedade imensa de pães, doces e salgados. Nestes 2 anos deu para perceber que a maioria das vezes ela diz, "é o costume?" ou então já reserva aquilo que ela sabe que certas pessoas vão pedir. Um dia destes não deu para evitar falarmos que eu não sou o tipo de óbvio de cliente habitual porque nunca peço a mesma coisa e ela nunca se vai poder adiantar ao meu pedido! E então?! 

Acho que isso assusta a maioria. Ser previsível e fazer parte do previsível é mais seguro. No surprises. Pois eu digo, sem graça, sem vida, sem liberdade, sem fôlego. 

Sejamos constantes no nosso carácter mas livres para sermos felizes! 

Não é fácil decidir pela mudança. Há tanto envolvido num processo de mudança. Assim como uma mudança de casa implica o carrego de uma serie de pesos físicos, as mudanças na nossa vida implicam a libertação de uma serie de pesos emocionais, psicológicos, familiares, sociais, etc. Fundamentalmente do nosso ego. 

Estamos constantemente preocupados com o que é esperado de nós. O que é suposto eu ser ou fazer para pertencer, para ser visto como uma pessoa séria, responsável, socialmente encaixada, bem-sucedida, popular... é uma lista grande, tanto quanto é a expectativa. 

Vivemos presos a padrões e esquecemo-nos de ser felizes, que somos dotados de toda a criatividade necessária para não vivermos sobre as regras dos outros. Todos temos a necessidade de nos sentirmos aceites mas quando isso se sobrepõem à nossa felicidade, então não é aceitação mas mutilação. 

Vejamos o enquadramento da mudança como o movimento das estações e tudo o que isso implica. Até a própria natureza lida com desafios e contrariedades ao que está estipulado pelo criador, como podemos presumir que o Homem está imune a esse fenómeno. 

E a propósito do tema, mudei a aparência deste blogue mas mantive a sua essência. 

Afinal, não é a essência que nos define e encerra em si mesma a resposta sobre o nosso propósito?! 

Sejamos a mudança boa! Aquela que contraria a mesmice mas que não adultera a essência do ser. Aquela que decompõe os estados de conforto mas que não deixa que o nosso espírito se deteriore. Aquela que nos perturba porque nos deixa inquietos, sequiosos por mais… aquela que nos despe do nosso ego, como barro nas mãos do oleiro e nos leva a ser completos. 

Jeremias 18 

1 A palavra do Senhor, que veio a Jeremias, dizendo: 2Levanta-te e desce à casa do oleiro, e lá te farei ouvir as minhas palavras. 3E desci à casa do oleiro, e eis que ele estava fazendo a sua obra sobre as rodas. 4Como o vaso que ele fazia de barro se quebrou na mão do oleiro, tornou a fazer dele outro vaso, conforme o que pareceu bem aos seus olhos fazer. 5 Então, veio a mim a palavra do Senhor, dizendo: 6Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? — diz o Senhor; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.



quarta-feira, 4 de março de 2015

#samuel

Hoje é um dia particularmente triste. Soube hoje que o Samuel se matou e vai ser cremado amanhã. O Samuel era um adulto na minha infância. Ele é da geração das minhas tias e foi através de uma tia que pude privar com o Samuel em criança. Não éramos próximos mas ainda me lembro do sorriso do Samuel. Não era um rapaz lindo mas tinha a sua beleza, reforçada pelas covinhas nas bochechas sempre que se ria.
Passaram-se anos em que nem me lembrei que o Samuel existia e de repente, no momento da notícias, revivi tantos momentos felizes de criança que passei na casa de praia do Samuel. Era sempre divertido estar em casa do Samuel. A casa estava sempre cheia de amigos, pessoas diferentes mas tão interessantes! Eu era menina mas adorava ouvi-los conversar nas suas longas tertúlias pela noite dentro. Tive tantas paixonetas de menina naquela casa. Adorava as horas de Pictunary regadas a cairipinhas (que eu supostamente não deveria beber lol), a parede do corredor só de assinaturas, dedicatórias e marcas das alturas da malta. Era difícil para mim vir embora.
E é no momento que sei da tua triste partida que me lembro de ti. Revivo os momentos de afortunada felicidade que tive junto de ti. Apetece-me pedir-te desculpa. Lamento que tenhas partido no vazio da solidão. Lamento que a coragem de partir tenha sido maior que a coragem para ficar e não desistir.
Pergunto-me pensando nisto, o que no momento nos pára ou não de avançar para a morte.
Eu própria tive vários momentos em que não tive a coragem mas desejei. Muitas noites durante vários anos ou em diversos períodos, em que a minha oração ao me deitar era de que os meus olhos não voltassem a abrir. Precisava que fosse por intervenção divina porque não tinha coragem de concretizar. Sim, é preciso ter muita coragem. Imagino que a coragem tenha de ser do tamanho da dor para que se consiga abraçar a morte assim, auto-infligida.
Já para viver, não sei ao certo qual é a medida de coragem necessária. Talvez baste apenas ser cobarde em relação á morte. Talvez baste deixar que o corpo faça a sua função enquanto a nossa alma passa pelo período de incubadora, anestesiada pela dor, enquanto o nosso espírito luta uma batalha superior. E no momento em que saímos deste espécie de coma, no momento do novo fôlego, talvez baste a ousadia de respirar fundo, dar um grito de guerra e deixar-mo-nos guiar! Talvez baste um pouco de Fé!
#adeussamuel