Fui eu quem procurei esta solidão? Meu Deus, como ela é gigantesca! Sou eu quem tem infligido a mim mesma esta dor?
Em momentos como este nenhum de todos os possíveis clichés que chamo até à minha mente, têm qualquer poder sedativo.
Estou num loop que parece impossível de interromper. Procuro o conforto nas palavras do livro, nos traços de carvão, no delinear de novas palavras, na materialização de emoções e pensamentos mas nada faz sentido... longe.
Prendi-me num mundo que não reconheço e não me identifico. Que me amarra e me seca. Talvez nada disto seja racional para que se entenda. Resta-me apenas aguardar. Aguardar no tempo que se manifesta como uma onda que rebenta nas rochas e me salga a alma. Aguardo na fé que não sei se é legitimamente minha ou emprestada de alguém. Aguardo, procurando o sabor da perseverança como um escudo, como um manto quente que aconchega.
Não existem mapas ou coordenadas que mostrem aos pés descalços o caminho a seguir, apenas a fé ilumina o chão que o agora pisa.
"Há um tempo para tudo (...)" e então agora é o momento do vazio que alienado do amanhã, espera que outro tempo se manifeste e que a seu tempo restitua ao vazio, os rostos que o dissipam.
E de joelhos faço a minha voz soar com todo o folgo que me resta para que as circunstâncias saibam que não há rendição!
Sou tão forte quanto as lágrimas que choro mesmo que nem sempre me apeteça ser forte...